A Corte Europeia de Direitos Humanos decidiu por unanimidade que a exposição de crucifixo – que é o símbolo da Igreja Católica -- nas escolas públicas viola o direito à liberdade religiosa.
Comunicado da Corte afirma que o crucifixo pode “causar desconforto para alunos praticantes de outras religiões ou ateus.”
Em 2002, Solile Lautise, mulher de origem finlandesa e morada na cidade italiana de Abano Terme, teve recusado um pedido feito à escola pública frequentada pelos seus filhos para que retirasse o símbolo da sala de aulas.
Ela recorreu à Justiça italiana, que arquivou a questão. Então Solile apelou à Corte Europeia, que agora deu o seu veredicto.
A Igreja Católica, o governo italiano e fiéis conservadores reagiram com veemência. Eles temem que todas as escolas públicas sejam proibidas de exibir o crucifixo. Mas esse é um ponto sobre o qual a Corte deixou em aberto.
A ministra Mariastella Gelmini, da Educação, disse que o crucifixo, antes de ser um símbolo religioso, pertence à tradição cultural do país. “Ninguém quer impor a religião católica, muito menos com o crucifixo.”
A igreja argumentou que a Itália é um país de maioria católica. O governo italiano anunciou que vai recorrer da decisão da Corte.
A Corte determinou que Solile seja indenizada em 5 mil euros, cerca de R$ 13 mil, por danos morais.
As informações são das agências internacionais.
> Em SP, juíza nega pedido para a retirada do crucifixo de repartições públicas. (agosto de 2009)


7 comentários:
Este é um exemplo que deveria ser seguido aqui no Brasil.
Deu no jornal italiano La Repubblica, em 4 de novembro de 2009.
Crucifixo faz com que Ratzinger convoque de Merkel a Blair
O Papa Ratzinger teme que os valores cristãos tenham sempre mais dificuldades para se afirmar por causa de legislações e sentenças fora de sintonia com os desejados pela hierarquia eclesiática. O pronunciamento sobre o crucifixo que veio dos juízes de Estrasburgo é só a última etapa - temem além do Tibre - de uma longa partida destinada a durar, que, particularmente nos países ocidentais, está sendo disputada entre a cultura laica e a cultura católica.
E por isso, no próximo ano, Bento XVI irá convocar no Vaticano um grande encontro internacional de políticos católicos, com o declarado objetivo de relançar instâncias caras à Igreja nos programas político-administrativos (família, defesa da vida, raízes cristãs, escola, bioética).
Reservadamente, o Pontifício Conselho para os Leigos já está trabalhando na preparação do evento há muitos meses. Mas episódios como a sentença contra o crucifixo nas escolas públicas italianas - advertem no Vaticano - acabaram acelerando a organização do evento.
Ainda não foram apresentadas as datas. Sabe-se apenas que irá se tratar de um encontro de dois dias dedicado à relação entre fé, política e religião com o título "Testemunho de Cristo na comunidade política". O encontro - que deverá ocorrer na Sala Paulo VI com a presença de Bento XVI - será aberto à contribuição dos mais importantes líderes internacionais declaradamente católicos, como a alemã Angela Merkel, o britânico Tony Blair, o vice-presidente dos EUA, Joe Biden, e a porta-voz do congresso norte-americano, Nancy Pelosi, o espanhol José María Aznar, o mexicano Felipe Calderón e muitos outros, entre os quais, naturalmente, estão os líderes dos partidos italianos católicos (Pier Ferdinando Casini, Savino Pezzotta, Clemente Mastella) ou políticos como Gianni Letta, Francesco Rutelli. É difícil imaginar que o primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, não seja convidado.
Na fase organizativa, o Papa quis o envolvimento dos representantes do mundo do associacionismo católico, da Acli [Associação Cristã dos Trabalhadores Italianos] à Ação Católica Italiana, da Renovação do Espírito ao Movimento Cristão de Trabalhadores, a Scienza&Vita, o órgão da Conferência Episcopal Italiana comprometido com as questões de bioética e medicina.
Esse é um exemplo a nao ser seguido em lugar nenhum.Se fala de liberdade religiosa, mas nesse caso é uma bela mostra de intolerancia e falta de respeito a tradiçao cultural do paìs onde a grande maioria é catòlica.
Falta de respeito é impingir um instrumento de tortura a cidadãos que pagam impostos e não seguem esta religião estúpida. Será que este anônimo acima aceitaria que as instituições públicas pregassem nas paredes símbolos de outras religiões, como umbanda, espiritismo, judaísmo, hinduísmo, etc ?
Oras, no Ministério da Justiça não temos uma estátua pagã?! Estamos cheios de monumentos pagãos em instituições.
Quanta hipocrisia!
Ninguém tem o direito de interferir na cultura da maioria, de qual país for.
O primeiro-ministro da Austrália em um discurso aos emigrantes muçulmanos, quando esses começaram a reclamar das leis e costumes daquele país, disse:
"Estou farto de que esta nação tenha que preocupar-se se estamos ofendendo a outras culturas ou a outros indivíduos. A maioria dos australianos acredita em Deus.
Este não é um posicionamento católico, político ou de extrema-direita. Esse é nosso direito, porque homens e mulheres cristãs, de princípios cristãos, fundaram esta nação. E esse fato é histórico. E é certamente apropriado que esse fato possa se refletir nas paredes de nossas escolas.
Se a imagem de Deus ofende à vocês, sugiro que considerem viver em outra parte do mundo, porque Deus é parte de nossa cultura. Aceitamos suas crenças (ou nesse caso, a não-crença) sem perguntar o por que. Tudo o que pedimos é que aceitem as nossas, e vivam em harmonia e desfrutem da vida em paz conosco.
Mas quando desejarem se queixar e protestar contra nossas crenças cristãs e nosso modo de vida, nós vos estimulamos a que aproveitem outra de nossas liberdades australianas: O DIREITO DE IREM EMBORA."
Acho que não preciso dizer mais nada.
Com Jesus e Maria,
Sara Rozante
Sara: sou brasileiro e ateu. E ai? Você vai querer me expulsar do meu país?
Prezado P. Lobo,
É óbvio que não (não se apoquente). Só acho que aqueles que pedem que se retire algo que é cultural, devam ponderar.
Eu poderia muito bem entrar com um recurso para que se retirem monumentos pagãos em instituições do governo.
Mas é claro que não o farei, posto que é uma enorme perda de tempo.
Tenho certeza que muitos ateus/agnósticos sérios não estão nem aí se se tem ou não crucifixo pendurado.
Outro dia estava lendo uma matéria, em que uma professora ensinava sobre o Exú da Umbanda. Esse tipo de coisa é irrelevante para mim.
Não vejo com maus olhos essa atitude da professora. O problema não está em estudar a questão, mas sim na doutrinação religiosa.
Como diz Kugler, diretor da rede Christianophobia.eu, em uma de suas 12 teses que mostram o pensamento equivocado do tribunal:
"Pode me incomodar também, ao entrar em uma agência dos correios, ver uma fotografia do presidente federal no qual não votei. A influência, os sinais ideológicos, as presenças visuais existirão sempre e em todos os lugares."
Ou seja, exatamente o que postei no início.
Com Jesus e Maria,
Sara Rozante
Queimem todas as camisetas com o rosto de Che Guevara! rsrs
Postar um comentário
- Recomenda-se ao comentarista que submeta o seu texto a um corretor ortográfico antes de postá-lo.
- Os comentários não refletem a opinião do responsável pelo blog.
- Texto só com letras MAIÚSCULAS será deletado.