por Gustavo Ioschpe (foto), para a Folha
Em 1984 , nos EUA, o carpinteiro John Stoll foi acusado de molestar sexualmente seis crianças.
As acusações: Stoll e mais dois homens faziam as crianças posar nuas e depois as estupravam, enquanto sua mulher fazia sexo com o próprio filho.
As crianças testemunharam no julgamento e confirmaram todas as acusações. Stoll e seus comparsas foram condenados a penas de até 40 anos.
Caso encerrado. Só havia um problema: era tudo mentira.
As crianças inventaram a história, estimuladas por policiais e promotores sedentos por uma condenação.
Quase 20 anos depois, as "vítimas" voltaram ao tribunal, dessa vez para admitir que não houve abuso.
Stoll foi solto, depois de quase duas décadas encarcerado. Sua mãe morreu enquanto o filho estava preso, seu casamento acabou, a carreira, idem.
O caso teve notoriedade pois o embuste foi revelado. Mas basta um conhecimento superficial de psicologia forense para saber que deve haver milhares de pessoas injustamente condenadas devido à junção de quatro vieses correlatos da mente humana.
Primeiro, sabe-se que nossa memória é bem menos confiável do que imaginamos e pode ser profundamente influenciada por eventos ocorridos quando a memória é formada e pela maneira como ela é recuperada.
Segundo: nosso respeito, beirando a submissão, por autoridades.
O terceiro problema é o desejo de agradar e de pertencer. A maioria das pessoas não gosta de ser do contra, de decepcionar os outros. É frequente que testemunhas digam o que acreditam que o interlocutor quer ouvir -ainda mais quando esse interlocutor é um representante do Judiciário.
Finalmente, damos grande valor a um testemunho ocular. Se alguém lhe disser, com convicção, que viu fulano fazendo isso ou aquilo, provavelmente você acreditará. Acreditamos na bondade e na acuidade alheias.
Junte esses quatro fatores e veja como é difícil a absolvição de um réu quando a Promotoria está convencida da sua culpa e tem testemunhas para confirmar sua história.
O enredo se repete amiúde. Um crime hediondo é revelado. Suspeitos são rapidamente apontados. Testemunhas aparecem. Surge um furor coletivo pela punição dos suspeitos. O clima de linchamento propicia o surgimento de novos testemunhos, cada vez mais detalhados e terríveis. O direito de defesa é suprimido, as vozes dissonantes, sufocadas.
O Brasil já viveu caso assim, em 1994, no episódio da Escola Base. Donos e funcionários foram acusados de estuprar alunos. Os envolvidos tiveram suas vidas destruídas. A escola foi depredada e fechada. Um programa de TV pediu pena de morte aos "pedófilos". Anos depois, a investigação foi concluída e o casal foi inocentado.
Não havia evidência do crime. Mas era tarde. O dano já havia sido feito.
Hoje a história se repete com o dr. Roger Abdelmassih. Dezenas de testemunhas atestando os abusos sexuais do médico. O mesmo furor. Capas de jornais e revistas, matérias na TV: um escroque de última categoria.
O Judiciário vai mais longe e o coloca em prisão preventiva. O conselho de medicina suspende sua licença.
Não sei qual será o desfecho dessa história. Tampouco sei se o dr. Abdelmassih cometeu os crimes que lhe são imputados. Não ficarei surpreso se todas as acusações forem verdadeiras.
Acredito que os picaretas, pulhas e psicopatas são distribuídos aleatoriamente dentre todas as profissões. Não conheço as supostas vítimas, mas seria improvável que tantas mulheres acusassem um homem de um mesmo crime sem ter razão para isso.
Por outro lado, tampouco me surpreenderia se o dr. Abdelmassih fosse inocente. As 56 acusadoras não são nem 0,2% das pacientes que ele atendeu. Se fosse o predador sexual que pintam, imagino que o número de vítimas seria maior. Também é estranho que tenham demorado tantos anos para acusá-lo e tenham prosseguido o tratamento depois do abuso.
Mas por que essas mulheres viriam agora a público se fosse tudo mentira?
É possível que algumas tenham falsas memórias, que outras sejam aproveitadoras e que outras tenham sido estimuladas por promotores sôfregos. É improvável. Mas é possível.
E o sistema Judiciário brasileiro respeita uma premissa básica dos sistemas republicanos: todo cidadão é inocente até prova em contrário. Essa é uma garantia fundamental do Estado de Direito, sem a qual todo e qualquer cidadão está sujeito à arbitrariedade. A supressão desses direitos individuais é ao mesmo tempo sintoma e prenúncio de uma sociedade que resvala rumo ao autoritarismo.
Não quero defender o dr. Abdelmassih. Se for culpado de um terço do que lhe acusam, é um torpe. Mas quero, sim, reivindicar o direito de defesa e de liberdade desse e de qualquer cidadão, acusado de qualquer crime, até sua condenação, a não ser em casos de possibilidade de fuga ou quando a liberdade do réu representa perigo.
A mídia deveria tratá-lo como réu, não como condenado. O lugar de seu julgamento é um tribunal, não a praça pública. O Estado foi criado para garantir o usufruto das liberdades individuais. Como disse o jurista inglês William Blackstone (1723-1780): é melhor que 10 culpados escapem do que 1 inocente sofra.
Fico consternado de pensar na possibilidade de que estejamos sujeitos a ataques sexuais daqueles a quem confiamos nossa saúde. Mas fico mais preocupado ainda de saber que nossa liberdade e dignidade podem ser arbitrariamente confiscadas por quem deveria salvaguardá-las. Se hoje nossa Constituição não valer para um estuprador ou um assassino, amanhã não valerá para ninguém.
Gustavo Ioschpe, 32, é mestre em desenvolvimento econômico pela Universidade Yale e articulista da Veja.
> 'Resposta a um defensor dissimulado do monstro de jaleco', por Teresa Cordioli, setembro de 2009
> Caso Roger Abdelmassih.

As acusações: Stoll e mais dois homens faziam as crianças posar nuas e depois as estupravam, enquanto sua mulher fazia sexo com o próprio filho.
As crianças testemunharam no julgamento e confirmaram todas as acusações. Stoll e seus comparsas foram condenados a penas de até 40 anos.
Caso encerrado. Só havia um problema: era tudo mentira.
As crianças inventaram a história, estimuladas por policiais e promotores sedentos por uma condenação.
Quase 20 anos depois, as "vítimas" voltaram ao tribunal, dessa vez para admitir que não houve abuso.
Stoll foi solto, depois de quase duas décadas encarcerado. Sua mãe morreu enquanto o filho estava preso, seu casamento acabou, a carreira, idem.
O caso teve notoriedade pois o embuste foi revelado. Mas basta um conhecimento superficial de psicologia forense para saber que deve haver milhares de pessoas injustamente condenadas devido à junção de quatro vieses correlatos da mente humana.
Primeiro, sabe-se que nossa memória é bem menos confiável do que imaginamos e pode ser profundamente influenciada por eventos ocorridos quando a memória é formada e pela maneira como ela é recuperada.
Segundo: nosso respeito, beirando a submissão, por autoridades.
O terceiro problema é o desejo de agradar e de pertencer. A maioria das pessoas não gosta de ser do contra, de decepcionar os outros. É frequente que testemunhas digam o que acreditam que o interlocutor quer ouvir -ainda mais quando esse interlocutor é um representante do Judiciário.
Finalmente, damos grande valor a um testemunho ocular. Se alguém lhe disser, com convicção, que viu fulano fazendo isso ou aquilo, provavelmente você acreditará. Acreditamos na bondade e na acuidade alheias.
Junte esses quatro fatores e veja como é difícil a absolvição de um réu quando a Promotoria está convencida da sua culpa e tem testemunhas para confirmar sua história.
O enredo se repete amiúde. Um crime hediondo é revelado. Suspeitos são rapidamente apontados. Testemunhas aparecem. Surge um furor coletivo pela punição dos suspeitos. O clima de linchamento propicia o surgimento de novos testemunhos, cada vez mais detalhados e terríveis. O direito de defesa é suprimido, as vozes dissonantes, sufocadas.
O Brasil já viveu caso assim, em 1994, no episódio da Escola Base. Donos e funcionários foram acusados de estuprar alunos. Os envolvidos tiveram suas vidas destruídas. A escola foi depredada e fechada. Um programa de TV pediu pena de morte aos "pedófilos". Anos depois, a investigação foi concluída e o casal foi inocentado.
Não havia evidência do crime. Mas era tarde. O dano já havia sido feito.
Hoje a história se repete com o dr. Roger Abdelmassih. Dezenas de testemunhas atestando os abusos sexuais do médico. O mesmo furor. Capas de jornais e revistas, matérias na TV: um escroque de última categoria.
O Judiciário vai mais longe e o coloca em prisão preventiva. O conselho de medicina suspende sua licença.
Não sei qual será o desfecho dessa história. Tampouco sei se o dr. Abdelmassih cometeu os crimes que lhe são imputados. Não ficarei surpreso se todas as acusações forem verdadeiras.
Acredito que os picaretas, pulhas e psicopatas são distribuídos aleatoriamente dentre todas as profissões. Não conheço as supostas vítimas, mas seria improvável que tantas mulheres acusassem um homem de um mesmo crime sem ter razão para isso.
Por outro lado, tampouco me surpreenderia se o dr. Abdelmassih fosse inocente. As 56 acusadoras não são nem 0,2% das pacientes que ele atendeu. Se fosse o predador sexual que pintam, imagino que o número de vítimas seria maior. Também é estranho que tenham demorado tantos anos para acusá-lo e tenham prosseguido o tratamento depois do abuso.
Mas por que essas mulheres viriam agora a público se fosse tudo mentira?
É possível que algumas tenham falsas memórias, que outras sejam aproveitadoras e que outras tenham sido estimuladas por promotores sôfregos. É improvável. Mas é possível.
E o sistema Judiciário brasileiro respeita uma premissa básica dos sistemas republicanos: todo cidadão é inocente até prova em contrário. Essa é uma garantia fundamental do Estado de Direito, sem a qual todo e qualquer cidadão está sujeito à arbitrariedade. A supressão desses direitos individuais é ao mesmo tempo sintoma e prenúncio de uma sociedade que resvala rumo ao autoritarismo.
Não quero defender o dr. Abdelmassih. Se for culpado de um terço do que lhe acusam, é um torpe. Mas quero, sim, reivindicar o direito de defesa e de liberdade desse e de qualquer cidadão, acusado de qualquer crime, até sua condenação, a não ser em casos de possibilidade de fuga ou quando a liberdade do réu representa perigo.
A mídia deveria tratá-lo como réu, não como condenado. O lugar de seu julgamento é um tribunal, não a praça pública. O Estado foi criado para garantir o usufruto das liberdades individuais. Como disse o jurista inglês William Blackstone (1723-1780): é melhor que 10 culpados escapem do que 1 inocente sofra.
Fico consternado de pensar na possibilidade de que estejamos sujeitos a ataques sexuais daqueles a quem confiamos nossa saúde. Mas fico mais preocupado ainda de saber que nossa liberdade e dignidade podem ser arbitrariamente confiscadas por quem deveria salvaguardá-las. Se hoje nossa Constituição não valer para um estuprador ou um assassino, amanhã não valerá para ninguém.
Gustavo Ioschpe, 32, é mestre em desenvolvimento econômico pela Universidade Yale e articulista da Veja.
> 'Resposta a um defensor dissimulado do monstro de jaleco', por Teresa Cordioli, setembro de 2009
> Caso Roger Abdelmassih.
Comentários
Me dá asco ver argumentos como "falsas memórias" e "aproveitadoras" num pretenso artigo neutro. Realmente, o dr. Roger, consegui juntar um antro de sórdidos em seu redor.
E o que é pior: seus defensores tentam clamuflar suas intensões de maneira covarde. A defesa é envergonhada, cínica.
Mais uma vez, meu respeito a todas as vítimas. Vocês estão com a verdade e a justiça.
Ao mesmo tempo ataca as vitimas como mulheres gananciosas embusca de um lucro e de falsas acusacoes de estrupo.
Sera que este Sr tem mae , irma ou filha ou mesma uma parente (Tia , prima ) que tenha passado por uma situacao desta .
O tempo que foi demorado em aparecer foi o escudo de defesa do medico monstro atras de famosaos e uma media constante das sua proesas .
Este julgamento meu caro gustavo em praca publica sera duas vezes penoso para as vitimas e seus familiares pois todas ficaram expostas a Deus dara .
Espero que O Sr Gustavo na proxima ida a seu urologista nao sofra a humilhacao quanto fizer o exame de prosta . E assim fique sem chance de se queixar pois pensaram que ele vai querer se aproveitar para tirar uma grana deste medico .
Uma pessoa com 32 anos se achando por ter um degree de uma faculdade americana me choca em escrever tamanha baboseira .
Lamentável a ilação que o Sr. Gustavo faz entre a Escola Base e o caso Roger Abdelmassh!
Sua formação acadêmica pode ter lhe conferido o título de mestre em desenvolvimento econômico, todavia demonstrou deficiência intelectual em sua infeliz comparação, tanto que a parcialidade já é cabalmente demonstrada na comparação feita no título de seu texto.
Notem! O recado que o Sr. Gustavo pretendeu passar através do texto e, em suas próprias palavras: "a mídia deveria trata-lo como réu, não como condenado. O lugar de seu julgamento é o tribunal, não a praça pública.", mais adiante, que a Constituição esta sendo desrespeitada.
Imagino que o Sr. Gustavo não tenha encontrado tempo para inteirar-se a respeito dos fatos, visto que o amplo e irrestrito direito à defesa do acusado esta sendo exercida por seus advogados, através do contraditório.
Lembro também ao "mestre em desenvolvimento econômico???" que o caso só emergiu, porque alguns poucos da imprensa ficaram imparcialmente sensibilizados com a robustez/qualidade das denúncias, insuspeita e credibilidade das denunciantes, bem como pela quantidade de vítimas. Logo após, a imprensa em geral simplesmente rendeu-se aos fatos, que ora é contestada, e de forma injustificada, por suas palavras.
A Policia , Ministério Público e Justiça estão realizando seus trabalhos pautados pela Constituição e Leis pertinentes ao caso, contudo o Sr. omite intencionalmente em seu texto. Sim! Porque o que vale para o cidadão comum, vale para o Sr. Abdelmassih. Ou a biografia do mesmo o torna imune?
Embora o Sr. procure dissimuladamente demonstrar preocupação com o respeito as Leis, à sua intenção é “esticar a Lei” em favor do acusado, já que a mesma esta sendo seguida à regra. Reformo. O que vale para Chico, vale para Francisco!
Enfim, ao utilizar o velho jargão jurídico de que: “todo cidadão é inocente até prova em contrário”, vc demonstrou que isto só vale para o acusado, pois, denunciantes e Ministério Público já foram antecipadamente desqualificados através de seus comentários.
Penso e acredito que o teor de suas palavras, é tão somente na defesa do acusado, mesmo que para isso tenha que colocar em cheque a lisura dos membros do Ministério Público, credibilidade das denunciantes e boca larga da imprensa.
Seus comentários materializam a vontade dos que dão ao caso uma conotação pessoal de caráter ideológico em favor do acusado, ao contrário do aspecto jurídico-criminal, que é o que esta de fato em jogo.
Portanto, ao mestre de desenvolvimento econômico e “devoto de Albdelmassih”, da próxima, prepare-se, ou cale-se!
Isso é um direito de todos falar e de tentar justificar as denúncias, mais conhecer as pessoas e suas almas são fortes evidências!
retratadas de profunda dor , isso é forte!
Realmente a defesa (camufladinha.......) do Roger está mal......
Tão inventando até articulistas de aluguel.
Esclarecendo o óbvio, mas vamos lá!
O acusado não esta visado(sua palavra) pela sua "notoriedade comprada", muito menos por seus "questionável saber científico", MAS SIM, pela quantidade de vítimas, ilícitos continuados e diversos, conduta anti-ética entre outros.
Declarar que o mesmo continua preso, só pelo fato de: "tanta notoriedade, saber científico, etc", em meu entender, além da falta de argumentos convincentes de defesa, confirma o desespero de seus defensores compulsórios.
Portanto, cabe a seus renomados advogados convencerem a justiça de que não se deve privar
alguém da liberdade só por sua notoriedade,...
...aquilo que não conseguiram até o momento.
Naturalmente, vale lembrar também que acusado é acusado, Zé ou José, famoso ou não!
Propositalmente ignorou, ou sobre os quais simplesmente disconversou, quando não distorceu de maneira explícita.
A despeito dos fatos, utilizou o fundamento das Leis, quando lhe convém, quando não, as desprezou.
Acaso não tenha sido uma manifestação de desfaçatez absoluta, o que se falou esta totalmente desprovido de sustentação lógica.
Concluindo, a credibilidade das denunciantes deve ser questionada, enquanto que as provas e indicios colhidos contra o acusado, devem sem desprezadas.
Na situação atual basta algumas palavras de efeito para que os súditos do Abdelmassih abandonem temporariamente suas tocas.
O que me espanta é um artigo "isento" desmerecer e levantar dúvidas quanto a moral das denunciantes e o trabalho do ministério público e delegacia da mulher. Com argumentos acobertados pelos "mas se ele for realmente culpado... deve pagar...etc."
Se vc respeita tanto a democracia assim, ao reclamá-la, deveria respeitar a presunção da verdade de 80 mulheres que se declaram vítimas desse médico. Ou a democracia só vale para quem duvida dos seus crimes??
Eu não tenho nenhum problema em aceitar qualquer resultado deste processo depois do julgamento. Mas levantar dúvidas sobre as denunciantes ANTES DO JULGAMENTO é no mínimo postura preconceituosa e machista. Afinal, os criminosos deixam de ser criminosos só porque ainda não foram julgados??
Vou dormir...
Sabe o que me intriga mais ? Que as pessoas que defendem o médico publicamente, precisam sempre fazê-lo de maneira VELADA. Este artigo é ULTRA TENDENCIOSO, mas de maneira completamente velada. Já que o tal Gustavo quer defender o médico (provavelmente foi pago para isso), pq não fazê-lo de maneira aberta ? É fácil responder: VERGONHA. Diga-me com quem andas que te direi quem és.
Eta mentalidade tacanha. Esse menino já é um velho conservador. Deve ser amigo dele ou do nobre ministro da justiça...
"No artigo "Caso Abdelmassih: a nova Escola Base?" (Opinião, 24/9), o senhor Gustavo Ioschpe afirma que "é possível que algumas [vítimas] tenham falsas memórias, que outras sejam aproveitadoras e que outras tenham sido estimuladas por promotores sôfregos".
Cabe repelir tal afirmação. Em longa apuração do caso em questão, o Ministério Público colheu, juntamente com a polícia, o depoimento de dezenas de vítimas e elementos de prova suficientes para que a Justiça recebesse a denúncia e decretasse a prisão preventiva do acusado.
E fez isso sem se afastar um milímetro do devido processo legal, que certamente será obedecido até o julgamento do caso pela Justiça.
A manutenção da prisão do médico acusado, após cinco recursos da defesa apreciados em diferentes instâncias judiciais, fala por si."
JOSÉ REINALDO GUIMARÃES CARNEIRO, promotor de Justiça (São Paulo, SP)
- - -
"Quero cumprimentar Gustavo Ioschpe por seu brilhante artigo. É muito gratificante ver que um jovem de 32 anos tem uma visão que muitos representantes do Judiciário deveriam ter.
Juízes e desembargadores que se acovardam diante da opinião pública deveriam ler o artigo e, após o sentimento inicial de vergonha de atitudes tomadas no sentido da maré, descumprindo o nobre juramento de ser justo, de respeitar os direitos, talvez no futuro tomassem as decisões que a dignidade de seus cargos exige.
Promotores ávidos por notoriedade, pessoas que condenam antes do julgamento, imprensa sensacionalista, todos deveriam colocar esse artigo na cabeceira de suas camas."
REINALDO PADOVANI FILHO (Assis, SP)
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"É lastimável que Gustavo Ioschpe faça um texto tão superficial, sugerindo a improcedência das acusações de dezenas de mulheres ao médico Roger Abdelmassih, sem fazer a lição de casa e rever anos de pesquisa sobre violência sexual.
Do contrário, não faria afirmações do senso comum, achando estranho por que as mulheres demoraram tanto tempo para fazer a acusação da violência sexual sofrida."
LÚCIA CAVALCANTI DE ALBUQUERQUE WILLIAMS, professora titular do Departamento de Psicologia da UFSCar (São Carlos, SP)
"O artigo de Gustavo Ioschpe é no mínimo desrespeitoso para com todas as vítimas do dr. Abdelmassih. Num país onde milhares de casos de estupro e maus tratos contra a mulher nem sequer chegam a ser denunciados, a Folha presta um desserviço ao país ao dar voz a um quase defensor do médico maníaco. Ao colocar em dúvida a denúncia de 56 mulheres, o sr. Ioschpe consegue incrivelmente inverter os papéis, fazendo com que o algoz se torne vítima. Abusadores, estupradores e afins agradecem."
VAGNER CORREA (São Bernardo do Campo, SP)
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"O artigo de Gustavo Ioschpe é o que acontece com muita frequência quando a imprensa e a população, mesmo não tendo provas suficientes, já condenam antecipadamente os envolvidos, o que leva os juízes a entrar na mesma sintonia. Ademais, depois de condenados pela imprensa, não tem mais volta."
MARCOS BARBOSA (Casa Branca, SP)
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"Lamentável a posição do sr. Gustavo Ioschpe sobre o caso Abdelmassih, comparando-o com o episódio da Escola Base, especialmente quando diz que as 56 pacientes representam 'apenas' 0,2% do total de mulheres atendidas pelo médico. A pergunta é simples e direta: será que o sr. Gustavo Ioschpe continuaria pensando da mesma forma se entre as infelizes 56 pacientes estivessem sua mulher, irmã ou filha?"
JOSUÉ LUIZ HENTZ (São João da Boa Vista, SP)
Ao contrário do que o senhor diz, nossa memória é muito boa e nossas intenções são pautadas pela dignidade e honra.
Estamos denunciando um criminoso covarde. Fazemos isso por nós e pelos nossos filhos. E como o senhor deve saber, nesta altura do campeonato, não estamos sozinhos.
Além da admirável coragem das vítimas, o Ministério Público e a polícia civil, nos deram acolhida, espaço e credibilidade na busca pela justiça.
O senhor acha 0,2% pouco. Para nós bastava uma única mulher ferida na sua dignidade e alma, que já seria o bastante para enfrentar esse crime nojento.
Lamento imensamente que o senhor tenha demonstrado, num artigo dissimulado, que a defesa do médico estuprador é tacanha, velhaca, repugnante. Com certeza, do tamanho da sua estatura moral.
O mundo precisa de mais pessoas como vc...nao se abale com as agressoes feitas pelas ditas "vitimas", se a justica fosse justa e correta o Dr Roger estaria fora da cadeia...mas no Brasil qualquer famoso vira monstro da noite para o dia.
Parabens!!!
No fim, todo criminoso paga pelos seus crimes.
Principalmente quando os crimes ficam engasgados na garganta de tanta gente por tanto tempo....
É assim a vida..... E não adianta chorar.
E é sempre bom repetir o Dr. José Reinaldo: "A manutenção da prisão do médico acusado, após cinco recursos da defesa apreciados em diferentes instâncias judiciais, fala por si."
Dura a vida, né?????
Não confuda as coisas, pois o caso do americano e da escola base são depoimentos de crianças, e que levaram ao erro judiciário e inquérito policial, o caso em tela envolve mulheres adultas, que mesmo constrangidas pelo fato de tornar público o estupro, ratificam o crime. Não sei qual é a tua, se quer aparecer ou está fora da realidade.
Parabens pelo belo texto e por sua coragem. Mais infeizmente seu artigo veio parar aqui. Neste blog nada imparcial passa sem ser atacado. Sinto pelo Sr.
Vc tá muito mal informada sobre justiça aqui no nosso país... desde qdo pessoas famosas vão presa no Brasil????? É beeemmm ao contrário. Cadeia neste país é pra pobre, negros, ignorantes, prostitutas, gays, travestis...não fale besteira e vá se informar melhor. Se o ex- médico tá preso até agora é porque ele é culpado e nem mesmo com a "ajudinha" do ex ministro ele consegue sair! CULPADO, ESTUPRADOR, TARADO, ARROGANTE e nunca o Deus da fertilização e sim o DIABO!
É compreensivel a materia do Sr. Gustavo, ele provalvemente nao sofreu nenhum tipo de abuso, nem ninguém na sua familia, quem sabe, talvez esse alguém também esteja em SILENCIO.
Eduardo Miranda de Carvalho - Campinas-SP
(Eduardo Miranda de Carvalho, 45, é filho de uma mulher de 69, casado com uma mulher de 42 e pai de uma mulher de 20 anos)
PACIENTES E MÉDICOS TÊM DIREITOS
Em 28 de janeiro, "Tendências/Debates" publicou artigo do médico Roger Abdelmassih, acusado de assediar pacientes.
Na época, comentei que esse espaço é para discutir ideias, não para tratar de crimes comuns.
Em 24 de setembro, a seção publicou artigo que não chega a ser a favor do médico, mas defende a tese de que ele pode ser inocente (é claro que pode) e está sendo maltratado pela imprensa e pela sociedade (por parte delas, seguramente está).
Por sair do específico e chegar a conclusões gerais, esse texto não padece do problema básico do anterior. Mas passa a impressão de que o jornal está sendo parcial nesse episódio, em favor do acusado.
É preciso pautar alguém do outro lado, não para tentar provar culpa (jornal não é tribunal), mas para mostrar o drama, as preocupações, os direitos atingidos de suas possíveis vítimas (e de outros pacientes que sofrem algum tipo de assédio por parte de médicos) e o que podem fazer para se resguardar.
Não é uma questão de condenar ou não o médico, mas de respeitar quem acusa e se expõe para buscar justiça. lançar essa dúvida sobre tal quantidade de pessoas é de uma crueldade absoluta. Não é de se espantar que seja articulista da Veja, "aquela" que tem outros "especialistas" como Diogo Mainardi e Lauro Jardim. Deus nos livre!
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