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Monika: ‘Ele [o médico] lambeu a minha cara inteira’

por Lilian Christofoletti da Folha de S.Paulo

monika “A fotógrafa Monika Bartkevitch (foto), 43, afirmou ontem ter sido agarrada e beijada pelo médico Roger Abdelmassih, 65, quando estava em tratamento há nove anos. Ela é a primeira mulher a contar sua história sem exigir anonimato. Segundo Monika, o episódio contribuiu para o fim do seu casamento.

"Estou falando não apenas por mim, mas por todas as mulheres que passaram por isso, para que se sintam encorajadas a denunciar", diz. Monika ainda não depôs na polícia -pretende fazê-lo na próxima semana.

Até ontem, 35 mulheres procuraram o Ministério Público do Estado de São Paulo dizendo-se vítimas de abusos praticados por Abdelmassih, dono da maior clínica de fertilidade do país. O médico nega todas as acusações.
A entrevista: 

FOLHA - Por que você foi à clínica?

MONIKA BARTKEVITCH - Eu estava casada havia oito anos e o meu marido era vasectomizado. Ele tinha dois filhos de um outro casamento. Eu tinha um filho também de outra união. Queríamos uma filha e, na fertilização, poderíamos escolher o sexo. Fomos à clínica de Abdelmassih e fechamos um pacote de três inseminações. Já no primeiro dia, achei muito estranho o jeito do dr. Roger me abordar, de se despedir, e isso na frente do meu ex-marido.

FOLHA - O que aconteceu?

MONIKA - No segundo dia, fui sozinha fazer alguns exames. Na saída, o dr. Roger me deu um selinho na boca. Fiquei passada, não sabia o que fazer. Em casa, contei ao meu marido, que não acreditou. Ele disse: "A gente tem muito dinheiro lá [na clínica] e tem um objetivo, que é ter uma filha. Você é descolada, saberá se virar bem". Fui à clínica pela terceira vez. Quando o dr. Roger veio me cumprimentar, estiquei a mão. Disse que não tinha gostado da atitude dele, que estava na clínica para uma coisa sagrada, que é ter um filho. Ele me pediu desculpas, disse que eu era uma pessoa envolvente.

FOLHA - Não houve mais nada?

MONIKA - No dia em que eu fui retirar os óvulos, acordei com o dr. Roger ao meu lado, parado, com a cara em cima da minha, me olhando. Estava voltando da sedação, levei um susto e gritei. Ele se assustou, pediu calma e beijou a minha mão. Chamou um funcionário e me ofereceu um suco de maracujá. Depois, contei isso para o meu marido, que não viu nada de anormal. Três dias depois, voltei para a inseminação. Estava num quarto, de avental. O dr. Roger entrou, me pegou no colo na frente de uma enfermeira e me levou ao centro cirúrgico.

FOLHA - No colo?

MONIKA - Ele me carregou como se eu fosse um bebê. Uma funcionária ofereceu uma maca, mas ele recusou dizendo que eu era especial. Depois da inseminação, de novo, na frente das enfermeiras, ele me pegou no colo e me levou até o quarto. Pediu à enfermeira que saísse. Daí, ficou completamente alterado. Disse que era louco por mim, lambia a minha cara inteira. Eu gritava, mas ele tapava a minha boca. Ficou tentando me beijar, passava a mão por todo o meu corpo. Ele jogou o corpo para cima de mim. Eu dava socos, empurrões, gritava. Comecei a lutar, acho que isso durou uns 15 minutos, não sei, pareceu uma eternidade.

FOLHA - Como terminou?

MONIKA - Continuei gritando e ele se afastou. Briguei com a enfermeira que entrou no quarto, porque ela era mulher e sabia o que havia acontecido. Quando meu marido entrou no quarto, também não conseguia olhar para a cara dele. Porque já tinha contado o que havia acontecido, desde o começo dizia que o médico me tratava de forma estranha, que havia me beijado, e ele não acreditou. Quando saí de lá, o dr. Roger quis falar comigo, pediu que eu voltasse em três dias para saber se tinha dado certo a inseminação. Entrei em depressão, fiquei três dias fechada no meu quarto. Quando voltei à clínica, vi que não tinha engravidado. Eu estava no chão. Meu casamento acabou menos de dois meses depois.

FOLHA - Você tentou denunciar o médico à época?

MONIKA - Procurei uma equipe de TV, queria usar um microfone escondido, queria denunciá-lo, mas não deu certo. Depois, essa história me machucou muito. Separei-me do meu marido e ainda tinha de enfrentar familiares e amigos que perguntavam se eu havia dado abertura. Isso quase me deixou louca. Eu me perguntava, será que fiz algo errado? Mas agora, com todas essas mulheres falando, vi que não estava só.

FOLHA - Por que seu marido não acreditou em você?

MONIKA - Ele é do meio médico, não quis denunciar, não quis acreditar, não quis se comprometer, me deixou completamente sozinha.”

> Caso Roger Abdelmassih.

Comentários

Anônimo disse…
Essas coisas acontecem devido a certeza da impunidade. O mau caráter do médico, por ser uma pessoa famosa, ter muito dinheiro, se acha acima de qualquer suspeita.
Essas mulheres tiveram a dignidade e a honra violados por esse salafrário, covarde.
O Ministério Público deve agir com rigor.
Esse caso não pode ficar impune.
Anônimo disse…
Concordo com você 12:40!!!
Monika foi muito corajosa pena que nao tenha a sua coragem para denuncia-lo tambem!
Anônimo disse…
Monika ,voce não tinha marido,porque eles são todos corporativistas,e voces de classe média são muitos tolerantes com esses canalhas ..eu no lugar do seu ex mariso teria enchido esse tal medico de porradas..só assim eles apredem, pois dificilmente esses canalhas seram presos,,
Antonio Martins
Anônimo disse…
Parabéns Monika, tomara que outras mulheres tenha a mesma coragem que você de mostrar o rosto, assim o advogado deste médico louco, vai parar de dizer que só existem denúncias anonimas.
Acho que todos desejam que a justiça seja feita nesse caso e que este indivíduo vá ver o sol nascer quadrado.
Anônimo disse…
Pra provar tudo isso só ela chamando o ex-marido.
Ele foi testemunha.
Anônimo disse…
Muito bem, Monika, outras mulheres deveriam seguir seu exemplo. Aliás, uma empresária deu seu depoimento à revista Isto É, deixou-se fotografar e contou tudo o que aconteceu na clínica. Fiquei indignada com um depoimento da atriz Luiza Thomé que, como mulher, jamais poderia ter dito o que disse (algo do gênero: elas estão viajando na maionese...). Proponho até que se faça um protesto contra a atriz. Ela poderia ter dsito que isso não aconteceu com ela, mas jamais questionar o depoimento de 40 mulheres. Provavelmente fez isso a pedido do maníaco, e provavelmente não pagou pelo tratamento. Ou seja, quem paga a conta das famosas são as milhares de anônimas que simplesmente sonham ser mãe.
Anônimo disse…
Provavelmente essa digamos 'atriz' que nem na Globo está mais, recebeu alguma coisa por isso, infelizmente algumas pessoas acham que é bonito estar ao lado de pessoas que tem dinheiro.
Alguém lembra do caso das Daslu, quando a Lu foi presa por super faturamento nas impostações, tinha um monte de mulheres de deputados defendendo a 'coitadinha'.
Com esse digamos 'doutor' vai acontecer a mesma coisa ele sempre vai achar alguém atrás de "gramour" para poder ajudá-lo.
Anônimo disse…
O Doutor parece capaz de tudo. Me pergunto se ele mesmo não seria capaz de inseminar óvulos de outras pacientes com espermatozóide de banco (ou até com os dele mesmo), apenas para garantir sucesso de seus procedimentos? Afinal ele não dá nenhuma garantia de quem são realmente os pais do bebê gerado na inseminação. Que tal um exame de DNA em laboratório à escolha do paciente.
Anônimo disse…
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Anônimo disse…
A ÚNICA COISA QUE POSSO DIZER Á VC MÔNICA, É: PARABÉNS POR SUA CORAGEM E DIGNIDADE...
Anônimo disse…
Eu tbm passei por isso com esse médico mas não tive a coragem de falar para o meu marido achando que o problema era comigo, hoje eu vejo que ele é um aproveitador que usa dos nossos sonhos pra realizar seu ato de tarado estuprador. A única diferença entre ele e um maniaco é o diploma.
Anônimo disse…
Monika .....grato pelo seu depoimento nos desistimos.
Eu te conheco , vc namorou um amigo meu...
Roberta disse…
Nossa, ele calhorda merece prisão perpétua.
Monique disse…
Monika, vc foi corajosa, pq eu em 1999 fiz uma FIV com o Dr. Roger, e ele também me assediou, só q no momento o desejo de ter meus bebes era tão grande pelo meu marido, que ele não acreditou, mas eu acredito em você.

MVB
Anônimo disse…
Este comentário foi removido por um administrador do blog.
Anônimo disse…
Mônika,

Não estou do lado de ninguém, mas seu depoimento é simplesmente não condizente com a realidade, pois é impossível saber se a gravidez ocorreu apenas 3 dias após o procedimento. Na fertilização, espera-se pelo menos 12 dias e na inseminação por volta de 14 dias. Seria impossível constatar uma gravidez com 3 dias. A própria implantação do embrião ocorre por volta do 8 dia...
Anônimo disse…
Este comentário foi removido por um administrador do blog.
Paulo Lopes disse…
Atenção: comentários com palavras de baixo calão e ofensas não serão publicados.
Anônimo disse…
Sem comentarios sobre este caso,e milhares de casos no Brasil que ocorrem.
Em minha concepção tudo que acontece é culpa do Governo,nao pelo fato de tal cidadão cometer tal ato de Estupro,mais sim a Tentativa..Pois se houvesse Pena de Morte para uma pessoa dessa,com certeza pensaria 10 vezes antes de tentar tal ato!
Então uma Revolução precisa ser feita com as próprias mãos!
Anônimo disse…
A funcionária ofereceu uma "maca", mas Roger pegou ela no colo? Não havia maca nessa clínica, o ambiente era pequeno, era um sobrado. Alguém confirmou essa pegada no colo em juízo? Eu li a sentença, esse depoimento não consta. Por que será?

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