Útero de aluguel é negócio em ascensão na Índia
A ministra para o Desenvolvimento da Mulher e do Menor da Índia, Renuka Chowdhury, reconhece: o aluguel de ventre de indianas a estrangeiros é “uma indústria em franco crescimento” e já movimenta milhões de dólares.
Existem no país clínicas especializadas nesse tipo de gestação, nas quais as mães ficam até o nascimento da criança, de modo que tenham cuidados médicos e alimentação adequada.
"É como se elas fossem galinhas de granja", afirma Kamayani Bali Mahabal, coordenadora para o sudeste asiático do Centro para Recursos e Pesquisa da Mulher – uma organização que combate a barriga de aluguel. “Os estrangeiros relativamente ricos escolhem indianas pobres porque podem explorá-las; é uma colonização biológica.”
As estatísticas são precárias, mas estima-se que em 2007 houve o nascimento de pelo menos 200 bebês de ventre de aluguel, um grande avanço em relação ao ano anterior, com 20 casos. É uma tendência que “cresce como uma espuma”, diz o El País em sua edição do dia 8 deste mês.
Pode-se alugar com relativa facilidade um útero em vários países, com Rússia, Ucrânia e Estados Unidos. Neste país, em alguns estados, contrata-se uma barriga pela internet. Mas a Índia tende a dominar esse “mercado” por causa da vantagem de seus preços em relação à concorrência.
O jornal espanhol conta o caso de uma mulher que pagou 8 mil euros (19.300 reais) pelo aluguel de útero, incluindo suas despesas com a viagem à Índia. Nos Estados Unidos, ela gastaria cerca de 38 mil euros (91.700 reis). Há úteros mais em conta do que os oferecidos por americanas, mas não tanto quanto os das indianas.
Outras vantagens comparativas: na Índia não existe lei que dificulte a contratação de uma gestação e as clínicas podem fazer o implante de até seis óvulos fecundados, o dobro do permitido em outros países -- com isso, as taxas de engravidamento são maiores.
Diante do aumento do interesse dos estrangeiros, agora o governo indiano estuda estabelecer normas para regulamentar o negócio. Não se cogita em proibi-lo.
Na maioria dos países europeus, existe a proibição da barriga aluguel. Na França, a partir de 2009, essa forma gestação poderá ser permitida para casais de homossexuais e para mulheres casadas (ou com parceiro fixo) que tenham proglema de fertilidade.
Nos Estados Unidos, quem aluga um útero corre o risco de ficar sem o bebê, porque tem havido casos em que a mãe resolve não fazer a “entrega”. Na Índia não existe esse problema, porque, lá, descumprir o trato seria ter em casa mais uma boca para alimentar.
El País relata casos de indianas que estão felizes por terem alugado o útero: abandonada pelo marido, Radha terá dinheiro para sustentar por algum tempo o seu filho de três anos, Rina comprou uma casa, Lakshmi deu uma motocicleta-táxi a seu marido e Rekha não depende mais do seu parceiro alcoólatra.
O bom negócio dessas mulheres incentiva outras a procurarem as “granjas” que se multiplicam em Nova Délhi, a capital da Índia.


2 comentários:
Paulo,
É a banalização do Ser Humano amigo,de como ele é mercadoria para ser criado e depois quem sabe explorado...é também a crise de valores e espiritualidade...e que pais serão estes,que fazem estes negócios?
Compreendo o desespero e ânsia de quem quer ter filhos,mas talvez não deva-se fazer tudo para os alcançar...
Abraço amigo,
joao
Eu sou uma q gostaria de alugar minha barriga sem problema nenhum.
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