Da Folha:
"Citação feita ontem pelo chanceler Celso Amorim causou desconforto em Genebra, na véspera da reunião que selará o destino da Rodada Doha. Ao criticar a "desinformação" criada pelos países ricos, Amorim citou o ministro da Propaganda de Adolf Hitler, Joseph Goebbels. "O autor [da frase] não é bom, mas é verdade: uma mentira dita muitas vezes vira verdade." O porta-voz da representante do Comércio dos EUA, Susan Schwab, filha de sobreviventes do Holocausto, disse que a referência é "insultante". O porta-voz do Itamaraty, Ricardo Neiva Tavares, pediu desculpas."
COMENTO
A reação a Amorim foi exagerada, na linha over do politicamente correto. A frase famosa de Goebbels é citada por pessoas de todas as ideologias e etnias, o que inclui judeus. E Goebbels estava certo quanto a isto: uma mentira dita muitas vezes vira verdade. Ou quase sempre, acrescento.
Amorim poderia ter citado a afirmação de Nietzsche segundo a qual a história da verdade é a história de uma mentira ou, do mesmo filósofo, que o importa é a versão do fato e não o fato em si.
Mas aí alguém poderia dizer que Nietzsche foi um dos inspiradores do nazismo, o que é uma grande besteira, que, de tanto repetida, muitos a tomam com verdade.


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