segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Professora negra diz não gostar de brancos em bloco afro

ile-aye A professora Ceres Santos afirma estar preocupada com a decisão do bloco afro Ilê Aiyê de aceitar brancos pela primeira vez em sua apresentação no Carnaval de 2010.

"Ainda não fiz uma avaliação aprofundada desse fato, mas posso dizer que não é algo que me agrade”, disse a professora da Uneb (Universidade do Estado da Bahia) ao Uol Notícias.

O bloco Ilê Aiyê foi criado em 1974 para divulgar a cultura afro-brasileira. Surgiu no Curuzu-Liberdade, bairro de Salvador cuja população de 600 mil pessoas é composta por negros, na maioria. Em seus primeiros anos, chegou a ser acusado de estimular o racismo por não admitir brancos como associados.
A letra do 'Eu sou Ilê', o hino do bloco, se refere ao negro como "o mais belo dos belos".

Na quinta-feira do Carnaval, na abertura oficial da festa, o bloco vai sair com ala de sambistas brancos com o nome de "Eu Também sou Ilê".

Diz Ceres: "Acho tudo muito estranho. Não gosto dessa medida".

Antônio Carlos dos Santos, presidente do bloco, não se abala com o estranhamento de Ceres e de outros militantes negros que se querem de um lado e os brancos, de outro.

Ele disse que o objetivo do bloco é chamar a atenção para as injustiças contra os negros, mas o Ilê Aiyê não é separatista.

"Em nossos projetos sociais, não discriminamos. Atendemos crianças brancas, louras, negras", diz.
Ele tem o apoio de militantes como Ana Rosa Azevedo.

"Sou negra e acho essa decisão maravilhosa. Precisamos caminhar para a igualdade de modo que em breve não haja necessidade de políticas de reparação [aos negros]".

> Casos de racismo.

‘Fracassados não pegam ninguém ou só as feias’

feia

 

 

 

por Luiz Felipe Pondé, para a Folha

As pessoas não são todas iguais, umas são melhores do que outras, mais inteligentes, mais bonitas, mais generosas. Sinto muito se isso é duro de ouvir. O hábito de matar o mensageiro é antigo como a roda. Normalmente as menos dotadas odeiam as mais dotadas.

Nenhuma sociedade pode mudar isso, e as que tentaram apenas multiplicaram o número das pessoas mais feias e menos inteligentes e mais pobres e menos generosas e mais miseráveis e menos capazes.

Mulheres feias detestam mulheres bonitas (lembremos do maravilhoso filme "Malena" de Tornatore: as mulheres a odiavam porque todos os homens a queriam), homens com menos sucesso invejam homens de grande sucesso (inclusive porque as mulheres não resistem a homens de sucesso, e fracassados não pegam ninguém ou só pegam as feias).

E mais: a acusação de que toda mulher bonita seja burra é a esperança das feias, sua pequena vingança contra a beleza que não têm. Não é apenas o homem inseguro que teme a inteligência numa mulher bonita, as feias também temem. Elas, as feias, ficam, à noite ou pelos cantos do escritório, tramando como jogar sobre a bela e inteligente colega a suspeita de que a inteligência reconhecida no trabalho se deve à cama.

Vale notar que, ao contrário do que as mulheres supõem, nem todo homem suporta muito tempo uma mulher burra, mesmo que bonita. Se for por uns 30 minutos, aí tudo bem.

Ela é feia e sozinha e invejosa e raivosa? Ela desejará destruir sua colega bonita e inteligente e doce e cheia de namorados. Ele é pobre e sozinho e azedo e medroso? Ele desejará destruir seu colega bem sucedido e charmoso e bem humorado e cheio de namoradas. Se o fantasma da mulher é a falta de beleza, o do homem é a falta de coragem. Banal assim.

Existe uma série de códigos para homens e mulheres, e esses códigos sempre determinam o sucesso da relação entre sexos. Existem exceções? Claro que sim. São os famosos milagres, e eu acredito neles, mas nunca serão produzidos em massa através de políticas públicas. Uma das causas da raiva dos ateus contra Deus é porque Ele não é mais democrático na distribuição de milagres.

Esse ódio não é causado pela miséria social (que apenas cria condições para que ele se desenvolva mais ainda). Ele é causado pela insegurança estrutural do ser humano e pelo fato de que a beleza (como signo do que desperta a inveja) é sempre minoria no mundo, e todo mundo quer destruí-la por que não a tem. O ódio pela beleza é um fato científico. Isso não é ideologia, é ciência.

Uma mentira comum cresceu nos últimos anos. Qual? A de que dizer esse tipo de coisa que estou dizendo significa que "não respeito as pessoas feias e bobas". É claro que as pessoas podem ser o que quiserem ser, inclusive bobas. Ninguém tem obrigação de entender que o mundo não é o que ele gostaria que fosse em sua cabecinha. O problema é o risco que elas dominem o mundo...

A afirmação dos mentirosos é que quando se dizem coisas assim, se peca contra a humildade. É claro que estou levantando o nível do debate e o afastando dessa tagarelice sobre "direitos de sermos bobos e iguais". Mas a mentira está no fato de que a preocupação dos mentirosos não é com a humildade, mas sim com a repressão da diferença que faz diferença, ou seja, a diferença que cria hierarquias entre as pessoas.

Pensemos no caso da beleza das mulheres ou do sucesso profissional entre os homens, ambos objetos claros de inveja: um dia desses, os mentirosos inventarão uma lei que proibirá as mulheres de serem bonitas em nome da autoestima das feias e proibirão os homens bem-sucedidos de terem carros caros em defesa da dignidade do metrô.

Duvida? Basta algum mentiroso inventar que isso é "necessário para um justo convívio democrático".

A ditadura "dos ofendidos" é um dos maiores instrumentos contra a inteligência pública e livre em nossos dias.

Humildade é como coragem, só se mede coragem diante da morte ou de algo parecido. A mesma coisa com a humildade: só se mede humildade quando você tem razões objetivas para não ter humildade. Assim como a coragem não brota entre covardes, a humildade é uma agonia apenas para quem tem razões de ser orgulhoso.

Fazendo um giro teológico no argumento (em nome do espírito natalino): Cristo não é grandioso em sua humildade porque era um pobre miserável filho de carpinteiro (isso seria fácil, logo não seria virtude nenhuma), mas porque era Deus, o "Cara".

> 'O politicamente correto é coisa de retardado'

> Artigos do filósofo Luiz Felipe Pondé.

domingo, 6 de dezembro de 2009

Roger tenta anular 1º matrimônio para se casar com Larissa Sacco

Roger-Abdelmassih

 

Roger Abdelmassih (foto), 66, médico que está preso sob a acusação de ter estuprado 56 pacientes, solicitou à Justiça autorização  para comparecer ao Tribunal Eclesiástico da Arquidiocese de São Paulo de modo a apresentar pedido de anulação religiosa do seu primeiro casamento.

Sônia, a sua segunda mulher, morreu de câncer em agosto de 2008. Antes dessa união de 40 anos, Abdelmassih já tinha sido casado no cartório e no religioso com mulher cujo nome ele nunca menciona. Esse casamento durou pouco. 

Agora, o médico quer anular o primeiro casamento  para que possa se casar na Igreja Católica com a sua noiva Larissa Maria Sacco, procuradora afastada do Ministério Público Federal.

Pelo Tribunal Eclesiástico, é possível anular um casamento, mas a tramitação do processo é demorada e pode levar anos.

A juíza Kenarik Boujikian Felippe,  da 16ª Vara Criminal de São Paulo, negou o pedido do médico. A informação é da Istoé.

Abdelmassih já tinha dito à Veja que pretende se casar com a Sacco.

Em seus primeiros dias na Penitenciária de Tremembé, ele chegou a pedir ao diretor de segurança que comprasse flores para a sua noiva. “Parece que o doutor ainda não se deu conta de onde se encontra”, teria dito o funcionário.

Na época, ele tinha começado a receber a Sacco em um dos quartos da penitenciária para encontros íntimos.

Atualmente, o médico se encontra em uma cadeia de uma delegacia de São Paulo para acompanhar, no fórum, o depoimento à juíza das testemunhas de acusação e de defesa.

No dia 30 de novembro, a pedido do promotor Roberto Senise Lisboa, da Procuradoria da Defesa do Consumidor, a juíza Adriana Sachsida Garcia bloqueiou as contas bancárias e os bens de Abelmassih, para garantir o pagamento de possíveis indenizações.

A clínica de Abdelmassih está sendo despejada de um casarão no Jardim América, em São Paulo, por atraso no pagamento do aluguel.

Além disso, de acordo com a TV Bandeirantes, o médico teria vendido (ou repassado a um credor, um banco) a sua fazenda de plantação de laranja em Avaré (SP). 

Advogados consultados recentemente pelo Diário de São Paulo estimam que, se o médico for condenado, ele terá de automaticamente responder a processos cíveis para o pagamento de indenizações por danos morais às vítimas em um total a partir de R$ 20 milhões.

> Caso Roger Abdelmassih.

Bancário gago será indenizado por ter sido humilhado no Bradesco

Por decisão uninâmime do TST (Tribunal Superior do Trabalho), Valdinei Pereira Lima vai receber do Bradesco indenização de R$ 40 mil por dano moral.

mulher-perversa Lima recorreu à Justiça porque, por ser gago, afirma ter sido humilhado pela gerente Marta Alves Pereira, que dizia, segundo ele, não ter competência para trabalhar com ela.

Ele tinha ganhado a causa na primeira instância e perdido na segunda, no TRT (Tribunal Regional do Trabalho).

O caso ficou tramitando na Justiça por dez anos.

De acordo com uma testemunha de Lima, a gerente não só o humilhava como chegou a imitar a sua gagueira ao telefone.

Testemunhas da parte da gerente desmestiram essa versão, mas elas não conseguiram convencer os ministros do TST.

Pelos depoimentos das testemunhas da acusação, Marta era grossa com todos os seus subalternos e em especial com Lima.

Não ficou provado, contudo, que Marta humilhava Lima todos os dias, o que configuraria o crime de assédio moral.

Mesmo assim, no entendimento do TST, houve dano moral, ainda que não tenha se configurado um assédio, fazendo juz, portanto, o pagamento da indenização.

Para o TST, ficou cabal que a gerente Marta Alves Pereira desrespeitou o funcionário, atingindo “a honra, a moral e dignidade do trabalhador”.

As informações são do site do TST.

> Funcionário do Bradesco teve de dançar na boca da garrafa. (fevereiro de 2009)

> Casos de assédio moral.

> Casos de Justiça do Trabalho.

Novas vítimas prestam depoimento no caso da pedofilia em Catanduva

O Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), do Ministério Público de São José do Rio Preto, colheu o depoimento de novas supostas vítimas e testemunhas, como professoras, de uma  rede de pedófilos de Catanduva, cidade paulista de 115 mil habitantes que fica a 384 km da capital.

Esses depoimentos poderão ajudar na solução do caso que está completando um ano sem que haja explicação, por exemplo, sobre o acobertamento da Polícia Civil de alguns dos suspeitos. 

Esse é o caso do endocrinologista de crianças Rodrigo Brida Gonçalves, 32, filho de um conhecido médico de Catanduva, e do empresário José Emanuel Volpon Diogo, 44.

Um borracheiro – o José Barra de Melo, 46, o Zé da Pipa – e o seu sobrinho William Melo de Souza, 19, já foram condenados em primeira instância a 11 anos de prisão e a sete, respectivamente. Eles esperam novo julgamento, que deverá ocorrer nesta semana, informa o Estado de S. Paulo.

O médico e o empresário nem sequer foram denunciados formalmente pelo Ministério Público por falta de provas.

image O MP teve de assumir as investigações por causa de atitudes suspeitas de policiais, como a da delegada Rosana da Silva Vanni (foto), que informou ao advogado do médico que o computador dele seria confiscado para uma vistoria.

Quando os policiais foram à casa do médico para pegar o computador, ficaram sabendo que ele tinha sido levado um dia antes para o conserto. A delegada admitiu ter errado.

Gonçalves contratou para defendê-lo José Luis Oliveira Lima, advogado também do médico Roger Abdelmassih, acusado de ter estuprado pelo menos 56 de suas pacientes.

As famílias cujos filhos teriam sido vítimas de pedófilos tentam voltar à normalidade, mas não tem sido fácil.

Cristiane José Lima, por exemplo, disse que preferiria que um ladrão levasse tudo que tem em casa a ter os seus três filhos molestados por tarados.

[Com informações da imprensa da região]

> Caso da rede de pedófilos de Catanduva.

> Casos de pedofilia.

sábado, 5 de dezembro de 2009

Espanhol é condenado à prisão por gritar em igreja: ‘Eu não creio’

grito

 

Testemunhas relataram à polícia que Raul C. P., 38, sentou-se no último banco da igreja da Paróquia de Criste Rei de Usera, que fica no subúrbio de Madri, Espanha.

Estava havendo o batizado coletivo de cinco crianças.

Raul permaneceu em silêncio, mas até o momento do Credo, a oração em coro que diz: ‘Creio em Deus Pai Todo-Poderoso / Criador do Céu e da Terra / Creio em Jesus Cristo Nosso Senhor’ etc.

O homem então gritou: ‘Eu não creio, eu não creio, eu não creio’.

Também ofendeu o padre, que chamou a polícia. A informação é da BBC Brasil. 

Agora, saiu a condenação do ateu: um ano de prisão por ter interrompido o batizado e mais dez meses por não respeitar sentimentos religiosos.

A sentença do Tribunal de Audência Provincial de Madri destacou que, além de tudo, Raul fez atos obscenos diantes de fiéis e de imagens de santos.

> Ateísmo.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Detetive é contratado na maioria dos casos para flagrar traição

Embora ofereçam um leque de serviços -- como acompanhamento de babás e idosos, localização de anônimos que fazem ameaças por telefone ou internet, apuração de fraudadores comerciais --, os escritórios de detetives particulares são solicitados quase exclusivamente para flagrar traições conjugais.

image No caso do escritório de Angélica Auriani (foto), 99% dos casos se referem à investigação de suspeita de infidelidade. As mulheres compõem a maioria de sua clientela, na proporção de 70%.

A maioria das mulheres pede que o marido seja pego em flagrante com a amante, disse Angélica a Rodrigo Bertolotto, do Uol Notícias. Segundo ela, há até mulher que paga apenas para saber se a amante é bonita.

O escritória de Angélica cobra por diária ou por pacote. Geralmente, um caso que demore cinco dias para ser desvendado, incluindo o flagrante, sai de R$ 1.800 a R$ 3.500. Metade tem de ser pago antes.

O flagrante é obtido máquinas fotográficas, de filmar ou com gravadores de som. O que não é fácil, diz a detetive. “É preciso ter muita paciência.”

Angela Bekeredjian é a veterana dos detetives particulares no Brasil. Faz investigação há 45 anos.

O site do seu “escritório de inteligência” informa que, ao longo desse tempo, cuidou de mais de 6.000 casos – nem todos sobre traição conjugal.

Ela informa ter uma equipe para perseguições em qualquer ambiente. Releva que em um dos casos um de seus agentes, um gay, flagrou o marido de uma cliente se ‘distraindo’ com outros homens em uma sauna.

Angela-BekeredjianFormada em psicologia,  Angela (foto) começou a entrar no negócio de investigação de traições conjugais quando flagrou o seu marido com a amante. Com dois filhos, ela deu uma segunda chance ao marido, e ele voltou a traí-la. 

“Transformei o meu drama pessoal em carreira profissional”, diz. “O que aconteceu comigo ocorre  com muita gente até hoje.”

Pesquisa feita em 2008 pelo Ministério da Saúde sobre o comportamento sexual dos brasileiros revela que, das 8.000 pessoas entrevistas, o percentual de homens que traem a esposa ou a namorada foi de 21%. Em relação às mulheres, a taxa de traição de foi 11%.

Ou seja, por essa pesquisa, Angela, Angélica e tantos outros profissionais da investigação têm um enorme mercado de clientes.

> Traição feminina cresce e a masculina cai.

> Casos de traição conjugal.

Justiça bloqueia bens e contas do médico acusado de estupros

justica-bloqueio

Por solicitação do MP (Ministério Público) do Estado de São Paulo, a Justiça bloqueiou as contas bancárias do médico Roger Abdelmassih e determinou a indisponibilidade de seus bens, do seu filho, o Vicente, e da clínica de reprodução humana assistida.

A solicitação foi apresentada pelo promotor Roberto Senise Lisboa, da Procuradoria da Defesa do Consumidor, com o argumento de que Abdelmassih e o seu filho violaram os direitos do Código de Defesa do Consumidor ao deixar de fornecer a pacientes uma via de contrados e cópias de exames.

Além disso, segundo Lisboa, a clínica teria dado falsa garantia de sucesso no tratamento de fertilização.

O médico está preso preventivamente desde agosto sob a acusação de ter abusado sexualmente de 56 pacientes.

A decisão judicial visa preservar o patrimônio de Abdelmassih para que possa ser utilizado no pagamento de indenização às vítimas, no caso de haver condenação.

Advogado de uma das mulheres que acusam o médico disse a este blog que há suspeita de que a família de Abdelmassih está tentando se livrar do pagamento de indenizações. O MP teria informações sobre isso.

Os advogados do médico negam qualquer irregularidades e afirmam estar perplexos com a decisão judicial, de acordo com o site de “O Globo”.

Os defensores de Abdelmassih vão entrar com recurso contra a decisão liminar do dia 30 de novembro da juíza Adriana Sasida Garcia.

No dia 19 de novembro, a Justiça deteminou o despejo da clínica do casarão da avenida Brasil com a rua Argentina, no Jardim América, em São Paulo, por falta do pagamento de aluguel.

Os proprietários do imóvel reclamam a quitação de uma dívida de R$ 888 mil acumulada até aquele mês.
Abdelmassih está na Penitenciária de Tremembé, no Vale do Paraíba, em São Paulo.

O local é conhecido como Prisão de Caras porque para lá são enviados condenados e suspeitos que já eram famosos e os que vieram a sê-los por causa do envolvimento em casos de repercussão na imprensa.

No dia 24, foi negado mais um pedido de habeas corpus ao médico, desta vez pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça).

Íntegra do despacho da juíza

Vistos, Trata-se de ação cautelar de arresto de bens, preparatória de ação civil pública, que o MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SÃO PAULO promove em face de CLÍNICA DE ANDROLOGIA SÃO PAULO LTDA., ROGER ABDELMASSIH e VICENTE GHILARDI ABDELMASSIH, visando prestação jurisdicional que decretasse liminarmente a indisponibilidade dos bens de titularidade dos réus, para o fim de garantir a efetividade do processo principal, no qual será postulada a condenação no pagamento de indenização por danos patrimoniais e morais em favor do Fundo de Direitos Difusos e das vítimas que utilizaram os serviços prestados pelos réus.

O pedido veio fundamentado na alegação de que os réus violaram os direitos garantidos pelo Código de Defesa do Consumidor, por meio do seguinte proceder: assegurando falsamente o sucesso do tratamento de reprodução assistida; deixando de fornecer uma via do instrumento de contrato entabulado entre as partes, bem como dos exames realizados pelas pacientes; abstendo-se de prestar informação plena e adequada sobre as consequências dos procedimentos adotados; constrangendo consumidores à assinatura de “termos de consentimento informado”, valendo-se da situação de inferioridade em que se encontravam os pacientes e omitindo informação relevante quanto à utilização e destinação do material biológico excedente.

O autor ainda postulou a desconsideração da personalidade jurídica. Este o relato do necessário.

Decido. O pedido de liminar merece deferimento à vista dos elementos de prova trazidos aos autos, que demonstram satisfatoriamente a existência dos requisitos autorizadores da medida. A farta documentação que instrui o Inquérito Civil instaurado pela 5ª Promotoria de Justiça do Consumidor bem preenche a exigência do fumus boni juris, havendo fundados indícios de responsabilidade dos réus.

Igualmente plausível é a hipótese de redução dos réus ao estado de insolvência ou eventual desvio de bens; frustrando a aplicação de penalidade a ser objeto da ação principal, em caso de julgamento de procedência. É de conhecimento notório – pela ampla divulgação da mídia – fatos outros, que não descritos na inicial, a compor panorama no qual se justifica o receio de que os réus possam consumir a totalidade do patrimônio ou sentir a tentação de adotar medidas com o fito de excluir bens pessoais do destino da reparação das vítimas.

Há imputação de ilicitudes diversas, inclusive graves crimes que justificam a prisão preventiva do corréu Roger Abdelmassih. Nesse contexto, configura-se opericulum in mora. Anoto ainda, por oportuno, que igualmente se encontram presentes os requisitos autorizadores da desconsideração da personalidade jurídica, pois as ilicitudes descritas na inicial bem correspondem aos conceitos de abuso de direito e excesso de poder a que o legislador se referiu no artigo 28 do Código de Defesa do Consumidor.

Ante o exposto, defiro a liminar requerida, inaudita altera pars, determinando a indisponibilidade dos bens dos réus e o arresto de seus bens móveis e imóveis, na seguinte conformidade: Defiro notificação dos cartórios de registro de imóveis identificados na petição inicial (fls. 39), a fim de que seja bloqueada a transferência de domínio de titularidade dos réus; Nesta data, determino por meio eletrônico o bloqueio de ativos financeiros de titularidade dos réus em contas e/ou aplicações financeiras, conforme comprovante que segue.

À míngua do valor das indenizações, determino o bloqueio do valor correspondente ao valor da causa. Aguarde-se pelo prazo de 48 horas e tornem cls. para nova consulta ao Sistema BACENJUD 2.0 e determinação das demais providências pertinentes, as quais decorrerão da identificação das contas correntes e de aplicação financeira. Também por meio eletrônico, nesta data, são solicitados à Receita Federal informes sobre as três últimas declarações de rendimentos em nome de cada um dos corréus; No mais, após a efetivação do arresto, cite-se para contestar, observadas as formalidades legais e cautelas de praxe.

Int.
São Paulo, 30 de novembro de 2009.
Adriana Sachsida Garcia
Juíza de Direito

> Caso Roger Abdelmassih.

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